Mercados·July 23, 2026·6 min de leitura

O Brent perto de US$ 100 — o que faz à inflação e às mãos do Fed

O Brent ganhou mais de 6% rumo aos US$ 100 o barril — máxima desde 22 de maio e cerca de 37% acima da mínima de junho. No mesmo dia, o título americano de dez anos estava perto de 4,55%, máxima do ano, e a bolsa caiu 1,2%. Ações em queda, juros em alta, petróleo em alta. Essa combinação tem nome, e não é medo de recessão.

Os números em 23 de julho de 2026

IndicadorValor
Brent~US$ 96-100, +6% no dia
Movimento desde a mínima de junho+37%
Máxima desde22 de maio de 2026
Título de 10 anos~4,55%, máxima do ano
Título de 2 anos~4,18%
S&P 500−1,2%

Por que se moveu

Risco de oferta de várias direções ao mesmo tempo. Os houthis reivindicaram ataques a dois petroleiros sauditas no mar Vermelho. Os ataques a navios no estreito de Ormuz continuaram. O Cazaquistão suspendeu as exportações pelo terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio após ataques de drones. Washington e Teerã descartaram conversas de curto prazo. Os estoques já estavam baixos.

Nada disso é uma história de demanda. Tudo isso são barris que não podem chegar.

O mecanismo que importa para a carteira

Um choque de petróleo é o único impulso inflacionário que um banco central não pode tratar como transitório na prática, mesmo que o seja na teoria. A energia entra diretamente na inflação cheia e indiretamente em tudo que se transporta. Um Fed que se preparava para cortar rumo a uma economia que esfria enfrenta uma inflação cheia em alta com crescimento igual ou mais fraco.

Por isso os juros subiram num dia de queda das ações. Numa fuga para segurança normal, os títulos sobem e os juros caem. Quando os juros sobem com as ações em queda, o mercado de títulos diz: a restrição é a inflação, não o crescimento.

O risco desta visão

Os choques de petróleo de origem geopolítica costumam reverter rápido. Este já reverteu duas vezes em 2026. Um avanço diplomático, e US$ 100 logo voltam a ser US$ 75.

Há também um contrapeso real: preços altos destroem demanda e antecipam oferta.

Minha opinião

Não me posiciono pela manchete geopolítica, pois não tenho vantagem em prever a próxima rodada de conversas. Posiciono-me pela transmissão: se o petróleo ficar aqui até o outono, a inflação cheia reacelera, os cortes de juros recuam, e as ações de longa duração — ou seja, o complexo de IA das megacaps — carregam uma taxa de desconto maior justo quando seus fluxos de caixa são adiados pelo capex.

Em resumo: o Brent 37% acima da mínima de junho com juros na máxima do ano é um choque de oferta, não uma história de demanda.

Isto não é uma recomendação de investimento.

Ruslan Averin é um investidor independente e analista de mercados, autor de averin.com, publica pesquisa de mercados desde 2014.

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Ruslan AverinInvestidor e Analista de Mercado

Escreve sobre alocação de capital, risco e estrutura de mercados.