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A Unity subiu 13,3% — a história de recuperação enfim mostra números

Price · 12MYahoo Finance ↗

A Unity Software saltou 13,3% após resultados acima do esperado no segundo trimestre. É uma história de recuperação com vários anos, e esta semana é a primeira vez em muito tempo que os números sustentam a narrativa em vez do contrário.

Dois negócios num mesmo ticker

A Unity é rotineiramente descrita como uma empresa de engine de jogos. É de lá que vem a marca, não é de lá que vem o dinheiro.

A engine. A plataforma de desenvolvimento sobre a qual boa parte dos jogos móveis do mundo é construída. Alcance enorme, forte apego dos desenvolvedores e receita modesta: desenvolvedores pagam assinaturas, e o poder de precificação ali é limitado pelo tamanho do protesto da comunidade diante de mudanças.

O negócio de publicidade. A monetização desses jogos por colocação de anúncios. É aí que está a concentração de receita, e é aí que a empresa concorre diretamente com um rival muito maior e com execução muito melhor em publicidade móvel.

A distinção importa porque os segmentos têm características opostas. A engine é um fosso duradouro que monetiza mal. A publicidade monetiza bem e não tem fosso algum: a colocação se ganha por desempenho de algoritmo, e algoritmos são substituíveis.

O que o mercado realmente precifica

O declínio plurianual da Unity foi um problema de publicidade, não de engine. Sua rede de anúncios perdeu participação para um concorrente cujo stack de aprendizado de máquina simplesmente casava anúncios com usuários de forma mais lucrativa. Desenvolvedores foram para onde a receita por instalação era maior — decisão racional e instantânea.

Um trimestre positivo, portanto, só interessa na medida em que mostre que o stack de publicidade está fechando essa lacuna. A força da engine nunca esteve em questão e nunca pagou as contas.

Um movimento de 13,3% sugere que o mercado viu algo na trajetória de publicidade. Também sugere, como na maioria dos papéis massacrados, que as expectativas estavam baixas o bastante para que superá-las virasse notícia.

O que precisa se sustentar

A receita por instalação. A única métrica que importa nessa competição. Se as colocações da Unity gerarem mais receita para os desenvolvedores do que antes, a participação vem atrás. Se não, nada mais no balanço muda o desfecho.

A retenção de desenvolvedores no lado da engine. A engine é a vantagem de distribuição que torna o negócio de publicidade possível. Erosão ali — por decisões de preço ou por engines concorrentes — remove a razão estrutural para deter esta empresa.

A disciplina de custos. Boa parte da melhora recente no setor veio de redução de despesas operacionais. Isso enfeita o lucro e não faz nada pela posição competitiva.

Minha avaliação

A configuração me interessa mais do que há muito tempo, com uma ressalva específica.

A ressalva é que se trata de uma história de ganho de participação num mercado em que o concorrente não está parado — e em que os próprios resultados dele nesta semana mostraram que a régua continua subindo. Ganhar participação em publicidade móvel exige ser melhor, continuamente, num problema técnico em que o líder tem mais dados.

A engine dá à Unity algo estrutural: ela está dentro dos jogos no momento da compilação. Se isso se converte em participação publicitária é questão de execução — e execução é exatamente o que esta empresa não conseguiu demonstrar de forma consistente.

Um bom trimestre após um longo declínio é ao mesmo tempo como recuperações começam e como repiques se parecem. A diferença aparece no segundo e no terceiro trimestre.

Conclusão: a engine é o fosso, a publicidade é a receita, e só os números de publicidade decidem o desfecho. Os 13,3% dizem que as expectativas estavam baixas; o teste é se a receita por instalação continua melhorando.

Isto é análise, não recomendação de investimento.

Ruslan Averin é um investidor independente e analista de mercados, autor de averin.com, publica pesquisa de mercados desde 2014.

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Ruslan AverinInvestidor e Analista de Mercado

Escreve sobre alocação de capital, risco e estrutura de mercados.