Filosofia·May 8, 2026·9 min de leitura

Concentração vs. diversificação: minha abordagem pessoal com 8 posições core

O paradoxo dos 147 ativos

O fundo de investimento ativo médio nos EUA mantém aproximadamente 147 posições em carteira. Com esse nível de diversificação, seus retornos são matematicamente garantidos para se aproximar do índice de referência — mas com taxas de administração que o índice não tem. O resultado estatístico: 85-90% dos fundos ativos não superam o S&P 500 em períodos de dez anos ou mais.

O paradoxo é que a "segurança" percebida em ter 147 posições produz exatamente o resultado que o investidor queria evitar: pagar taxas elevadas para obter retornos do índice ou inferiores.

Isso não é um argumento contra a diversificação. É um argumento contra a pseudodiversificação — a ilusão de segurança que cria ter muitas posições sem que cada uma tenha passado por uma análise rigorosa.

Markowitz e os limites da teoria

Harry Markowitz ganhou o Prêmio Nobel em 1990 por sua teoria moderna de portfólio, que demonstra matematicamente como a diversificação pode reduzir o risco sem necessariamente reduzir o retorno esperado. A curva da fronteira eficiente é real: há uma combinação ótima de ativos que maximiza o retorno para cada nível de risco dado.

O problema é que a teoria pressupõe que podemos estimar com precisão as correlações entre ativos e seus retornos esperados — e isso na prática é quase impossível. As correlações históricas se quebram exatamente quando mais você precisa delas: durante as crises, os ativos que "deveriam" não estar correlacionados tendem a se mover na mesma direção. O crédito se contrai, a liquidez desaparece e a diversificação oferece menos proteção do que o modelo prometia.

O que Markowitz nos dá é um princípio válido: não concentre tudo em um ativo. O que não nos dá é a resposta mecânica de "quantos ativos são suficientes para estar corretamente diversificado."

O que Buffett diz sobre diversificação

A citação mais citada de Warren Buffett sobre diversificação é esta: "A ampla diversificação só é necessária quando os investidores não sabem o que estão fazendo." É uma afirmação frequentemente mal interpretada — muitos a leem como "Buffett diz que a diversificação é ruim." Não é o que ele diz.

O que ele diz é que a diversificação é uma proteção contra a ignorância. Se você não consegue analisar as empresas em que investe com rigor suficiente para distinguir as boas das ruins, a diversificação protege. Se você consegue fazer essa análise — e está disposto a fazê-la — a concentração pode criar melhores resultados.

A frase-chave é "sabem o que estão fazendo." Buffett não recomenda concentração para investidores que compram ações por emoção, por dicas de redes sociais ou sem entender o negócio subjacente. Recomenda concentração para quem investiu tempo real em entender o negócio, o setor, a avaliação e os riscos.

Meu sistema: 8 posições core + índice

Após anos de experimentação — e dos erros que documentei em outros artigos — cheguei a um sistema que funciona para mim:

8 posições core ativas (até 15% cada em casos de alta convicção, normalmente 8%): empresas que analisei profundamente, que entendo em termos de modelo de negócios, vantagens competitivas e avaliação. Cada posição tem uma nota de tese escrita, critérios de venda definidos e sizing deliberado. Atualmente essas posições incluem empresas como Alphabet, Berkshire Hathaway, Meta e algumas outras que não publico em detalhe.

60% ativo / 40% índice: nem todo o meu capital está em posições individuais ativas. Mantenho 40% em veículos de índice (S&P 500, internacional desenvolvido) como "piso de retorno" que assegura participação no mercado geral sem o risco de seleção específica. Esse 40% cresce silenciosamente enquanto dedico energia analítica aos 60% ativos.

O limite de 8 posições core não é arbitrário: é o número máximo de empresas que consigo acompanhar com profundidade suficiente para tomar decisões informadas. Acompanhar uma empresa bem requer ler os relatórios trimestrais, as chamadas com analistas, os movimentos competitivos do setor, as mudanças regulatórias relevantes. Multiplique isso por 15 ou 20 empresas e a análise de cada uma inevitavelmente se superficializa.

A pergunta correta não é "quantas posições?"

A pergunta que importa não é quantas posições ter, mas qual porcentagem do tempo e da atenção é investida por posição. Oito posições com análise profunda são mais seguras — e provavelmente mais rentáveis — do que 50 posições com análise superficial.

O excesso de diversificação não é um problema de filosofia — é um problema de processo. Quando você tem posições demais para acompanhar adequadamente, a análise se transforma em ruído e as decisões de compra e venda são tomadas por impulso, por momentum ou por ruído midiático em vez de fundamentos entendidos em profundidade.

Investir bem requer um equilíbrio delicado: concentração suficiente para que suas melhores ideias tenham impacto real na carteira, diversificação suficiente para que nenhum erro individual seja catastrófico. Minha resposta a esse equilíbrio — 8 posições core mais índice — não é a única resposta correta. Mas é a que melhor se encaixa nas minhas capacidades analíticas, minha tolerância psicológica ao risco e meus objetivos de longo prazo.

A
Ruslan AverinInvestidor e Analista de Mercado

Escreve sobre alocação de capital, risco e estrutura de mercados.