Vinte-e-cinco por cento de minha alocação de ações estão em ações europeias. Quando mencionei isto para investidores americanos, eles olham para mim como se tivesse dito estou investindo em pombos-correios. "Europa? O continente de crescimento lento, super-regulado, demograficamente desafiado? Por quê?"
Porque está barato. E em minha experiência, barato é o preditor mais confiável de retornos futuros.
O Hiato de Valuation É Absurdo
O DAX negocia aproximadamente 17x earnings. O S&P 500 negocia 21,4x. Esse é 32% de desconto para o índice alemão — e o gap é ainda mais amplo para setores individuais.
O Euro Stoxx 50 caiu para 5.882 pontos essa semana mas está ainda acima quase 15% ano-a-ano. O Stoxx 600 pan-europeu tem sido choppy — abaixo 0,9% na segunda — mas a tendência é claramente mais alta. Durante o mês passado sozinho, ações europeias sobem 5,38%.
Por que o desconto? O mercado cita três razões: crescimento PIB mais lento, risco geopolítico (Hormuz, Oriente Médio), e dependência de energia. Todas válidas. Mas aqui está a coisa — estes riscos estão já precificados a 17x earnings. A questão é se valem um desconto de 32% contra os EUA. Digo não.
Oficiais alemães justamente cortaram sua previsão PIB de 2026 para 0,5%. Terrível, certo? Mas ações alemães não são economia alemã. As companhias DAX 40 geram 80% de sua receita fora da Alemanha. Siemens, SAP, BASF, Allianz — estes são negócios globais listados em bolsa europeia. A narrativa de "crescimento lento" as pune injustamente.
Bancos Europeus: Finalmente O Comércio Certo
Venho observando bancos europeus por anos, esperando pelo setup. Acho estamos nisso.
Bancos europeus estão negociando a 6-7x earnings. Bancos americanos negocia 12-14x. O desconto era justificado cinco anos atrás quando bancos europeus tinham margens negativas de juros líquidos e balanços cheios de má dívida. Aquilo não é mais verdade.
O ciclo de aperto da BCE fez o que décadas de regulação não conseguiram — fez bancos europeus lucrativos de novo. Renda de juros líquida está em altas de múltiplos anos. Razões de capital são fortes. Payouts de dividendo estão aumentando. E as ações ainda estão precificadas como se fosse 2016.
BNP Paribas (BNP.PA) é meu top pick no espaço. O maior banco da França, diversificado em bancário retail, corporativo, e de investimento, negociando aproximadamente 7x earnings. BNP previu crescimento de vendas orgânicas de 6% para 2026. O dividend yield está north de 5%. Este é uma máquina de compounding em preço bargain.
ING Group (INGA.AS) é outro nome que possuo. Modelo de negócio mais simples, plataforma de bancário digital forte, e um dos ROEs mais altos em bancário europeu. Negociando ~6x earnings com dividend yield de 6%+.
O risco? Se a escalação do Hormuz empurra óleo para $120+ e reignita inflação europeia, o BCE poderia ter que apertar novamente, que desaceleraria empréstimos. Esse é o risco de cauda que estou monitorando. Mas a 6-7x earnings, muitas más notícias já estão assadas.
Defesa: O Boom Secular Que Ninguém Esperava
Ações de defesa europeia têm sido o comércio simples melhor em ações de EU por dois anos, e acho eles têm mais para andar.
Os números são staggering. Em 2025, Rheinmetall subiu 152%, Leonardo 93%, Thales 69%. Orçamentos de defesa europeus são projetados crescerem 6,8% anuais de 2024 para 2035 — superando EUA (1,7%), Rússia (3,2%), e China (3,1%). Bruxelas justamente se comprometeu com 131 bilhões de euros em procurement de defesa.
Rheinmetall (RHM.DE) é o líder. Receita é projetada crescer 40-45% em 2026 para 14-14,5 bilhões de euros. Eles fazem munição, veículos blindados, e eletrônica de defesa — tudo em demanda massiva. A ação tem tido um rali, mas a taxa de crescimento o justifica. Tenho mantido desde 2024 e não estou vendendo.
Leonardo (LDO.MI) é meu segundo pick de defesa. A companhia italiana tem disclosure de plano de mid-term alvo de dobro de lucros em 2030. Seu "Michelangelo Dome" — um sistema de defesa aérea similar ao Iron Dome de Israel — poderia ser game-changer para autonomia de defesa europeia. A ação saltou 9% no anúncio.
BAE Systems (BA.L) completa meu trio de defesa. A maior companhia de defesa europeia por receita, com portfólio abrangendo submarinos nucleares ao Eurofighter Typhoon. Menos volátil que Rheinmetall, mais de steady compounder.
O driver estrutural aqui não é apenas Ucrânia. É a realização despertadora através de capitais europeus que eles não conseguem depender dos EUA para defesa mais. Aquele deslocamento político — de dependência para autonomia — impulsionará procurement de gastos por uma década. Isto não é um comércio; é tema de investimento secular.
O Bottom Line Europeu
Sou 25% de minha alocação de ações em europeu. Isto é o mais que alocava para Europa em cinco anos. O hiato de valuation, o tailwind de defesa, e a recuperação de bancário criam um trifecta que não havia visto antes.
Investidores americanos têm um home bias que custa retornos. Europa não é sexy. Os headlines são sobre guerra, crises de energia, e crescimento lento. É exatamente por isso que é barato.
Passado uma década comprando ativos que ninguém quer e vendendo quando todos querem. Ações europeias em 2026 encaixam aquele padrão perfeitamente. O DAX a 17x earnings, bancos a 6-7x, companhias de defesa crescendo receita 40%+ — estes são números que tornam investimento contrário válido o desconforto.
Europa vai outperformar os EUA nos próximos 12 meses? Não tenho ideia. Mas não preciso disso outperformar. Só preciso disso fechar parte de um hiato de valuation de 32%. Até rereating parcial entregaria retornos de 15-20% daqui.
E aquela matemática é boa o suficiente para mim.
— Análise elaborada pela equipe averin.com
