NVIDIA: o número que diz tudo
Na terça-feira à tarde, a NVIDIA reportou receitas de 44,1 bilhões de dólares para o trimestre — crescimento de 69% ao ano. O número superou até as estimativas mais otimistas do mercado, que ficavam em torno de 43 bilhões. A margem bruta permaneceu acima de 73%. O LPA foi de 0,96 dólares, também acima do consenso.
A demanda por GPUs para data centers de inteligência artificial continua sendo, nas palavras da própria equipe de gestão, "praticamente ilimitada no curto prazo." Microsoft, Google, Meta e Amazon estão cada uma investindo entre 65 e 100 bilhões de dólares em infraestrutura de IA durante 2026, e grande parte desse gasto passa por chips da NVIDIA.
A pergunta que mais ouço é: "esse crescimento pode se sustentar?" Minha resposta é que a pergunta importa menos do que a seguinte: a posição da NVIDIA no ciclo de investimento em IA é tão dominante que mesmo com uma desaceleração significativa do crescimento — digamos de 69% para 30% — os números ainda seriam extraordinários. O risco é a concorrência real da AMD, Intel ou os chips internos dos próprios hyperscalers, mas esse risco está no horizonte de 2-3 anos, não imediato.
Minha covered call expirou sem valor: o que aconteceu
Eu tenho posição em NVIDIA há vários anos. No início de maio, vendi uma covered call com preço de exercício de 2.800 dólares com vencimento em maio — recebendo um prêmio significativo.
A ação, após os resultados, fechou acima de 2.750 dólares mas abaixo dos 2.800 dólares do strike. Minha call expirou sem valor na sexta-feira — o que na linguagem de opções significa exatamente o que parece: o comprador da call não exerceu, o contrato venceu e eu fiquei com o prêmio integral como receita adicional.
O que isso significa na prática? Mantive minhas ações da NVIDIA. Recebi o prêmio completo da call. E não vendi as ações a 2.800 quando estavam cotadas perto mas abaixo desse nível. É o resultado ótimo para quem vende covered calls com o objetivo de gerar receita adicional sobre uma posição de longo prazo.
O inconveniente teria sido a NVIDIA fechar muito acima de 2.800 dólares — nesse caso, eu teria vendido ações ao preço de exercício, participando apenas parcialmente do movimento. Neste caso, o resultado foi favorável.
DXY: pequena recuperação a 99,8
O Dollar Index recuperou ligeiramente para 99,8 durante a semana — uma recuperação técnica após atingir mínimas de 99,2 na semana anterior. Não muda a tendência de fundo. Os fatores estruturais por trás da fraqueza do dólar — o déficit fiscal, a convergência dos diferenciais de juros e a diversificação das reservas globais — permanecem intactos.
A recuperação do dólar esta semana esteve associada principalmente à realização de lucros em posições longas em euros e ienes, não a uma mudança fundamental nas perspectivas. Os mercados emergentes se mantiveram razoavelmente bem.
O ciclo de IA: além da NVIDIA
O que me parece subestimado pelo mercado é o impacto desse ciclo de CapEx em IA na cadeia de suprimentos secundária. A NVIDIA fabrica os chips, mas esses chips precisam: energia elétrica massiva, refrigeração avançada, infraestrutura de rede de alta velocidade e espaço físico em data centers.
As empresas de gestão de energia e equipamentos para data centers — Vertiv, Eaton — estão registrando backlogs (pedidos em carteira) em máximos históricos. As utilities que têm contratos com os grandes data centers de IA estão vendo revisões para cima da demanda. É o efeito "picks-and-shovels" do ciclo do ouro aplicado à IA: não só quem vende o ouro ganha, mas todos que vendem as ferramentas.
Esta semana, revisei para cima a posição na Vertiv. O mercado ainda não está dando o múltiplo que corresponderia se a demanda por data centers se mantiver na trajetória atual. Esse gap de avaliação me parece uma oportunidade.
