Uma semana. Foi tudo o que levou para a probabilidade de uma alta de juros do Fed sair de menos de 1% para 50%. O catalisador: uma única nomeação. Kevin Warsh é o novo presidente do Federal Reserve, substituindo Jerome Powell.
Acompanho a dinâmica dos bancos centrais há anos, e esta é uma das mudanças de pessoal mais relevantes que me recordo. Warsh não é um desconhecido: integrou o Conselho de Governadores do Fed de 2006 a 2011, foi considerado para a presidência antes de Powell, e nos anos seguintes argumentou publicamente que a resposta do Fed à inflação pós-2020 foi lenta demais e se apoiou em fundamentos equivocados. Ele acredita que a inflação é estrutural, não transitória. Essa convicção agora ocupa a cadeira da presidência.
Os números por trás do repricing
Antes da confirmação da nomeação de Warsh, os futuros sobre os fed funds precificavam uma probabilidade de alta inferior a 1%. O cenário base era direto: o Fed mantém em 4,25–4,50%, espera dados, corta no final de 2026 se a inflação cooperar.
Em uma semana após a notícia, essa probabilidade cruzou 50%. O mercado de títulos reagiu primeiro. O rendimento do Treasury de 10 anos, que rondava 4,40%, saltou para 4,56%. Os papéis de 2 anos — mais sensíveis às expectativas de curto prazo — subiram para 4,82%. A curva ainda está tecnicamente invertida em -26 pontos-base, mas está se inclinando. Essa inclinação é, em si mesma, um sinal: o mercado não precifica mais cortes — começa a precificar altas.
O dólar se fortaleceu com esse repricing. Mantenho exposição longa ao dólar em minha carteira macro e não estou reduzindo.
Warsh vs. Powell: uma divergência filosófica
A diferença entre Warsh e Powell não é de estilo — é um desacordo fundamental sobre o que impulsionou a inflação pós-pandemia. A Fed de Powell operou inicialmente sob a hipótese de que o surto inflacionário de 2021–2022 era de origem em cadeias de abastecimento e transitório. Mesmo após pivotar para altas agressivas em 2022, a Fed de Powell sempre esteve disposta a fazer pausas.
O enquadramento de Warsh é diferente. Ele argumentou publicamente que inflação acima de 3% não é um equilíbrio aceitável. Considera que o erro "transitório" de 2021 foi um dano reputacional não plenamente corrigido. Sua tese central: a inflação torna-se estrutural quando a credibilidade do banco central é questionada.
Posicionamento para o novo regime
Estou reduzindo duration nas minhas carteiras de renda fixa desde a notícia sobre Warsh. Minhas preferências atuais: Treasuries de 2 anos a 4,82% e instrumentos de taxa flutuante.
Em renda variável: o S&P 500 negocia a cerca de 20,9x lucros prospectivos — acima da média de 5 anos de 19,2x. Esse múltiplo foi construído sobre a hipótese de taxas em queda e desinflação contínua. Nenhuma dessas hipóteses se sustenta se Warsh elevar os juros. Estou reduzindo minha exposição líquida longa em ações e aumentando hedges sensíveis a taxas.
A nomeação de Warsh não é um ponto de dados. É uma mudança de regime. Estou posicionado de acordo.
— Ruslan Averin, averin.com
